Vício em videogames é doença? Entenda e veja como intervir!

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Todo mundo gosta de jogar videogame, não é mesmo? Entre a criançada ele é um sucesso, já os adolescentes adoram competir e os menores facilmente adorariam passar boas horas em frente à tela. Mas é importante ficar de olhos bem abertos para que as crianças não acabem desenvolvendo vício em videogames.

O uso excessivo desse eletrônico e a falta de controle dos responsáveis pode se transformar em um problema para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. Então, para não cometer esse erro, é melhor continuar a leitura e ficar por dentro do assunto. Aproveite!

O que é o vício em videogames?

O vício em videogames é, normalmente, desenvolvido por aquelas crianças sem limites. A falta de noção sobre o quanto uma atividade é saudável e quando ela passa a se tornar excessiva é o principal mal a ser combatido nesse sentido.

De modo geral, é importante entender que os jogos de videogame são projetados para serem assim: viciantes. O objetivo é fazer com que o jogador se envolva, tentando passar de fase ou superar o desempenho de outros jogadores.

É assim que os desenvolvedores lucram com tais produtos. Logo, quanto mais desafiadores e encantadores eles forem, maior a chance de sucesso do ponto de vista do negócio. No entanto, do outro lado da tela existe um risco constante.

Algumas crianças ficam tantas horas imersas em jogos que acabam desenvolvendo problemas de visão, restrições sociais e até um cansaço constante. Então, observar é a melhor maneira de entender o quanto o gosto pelos jogos é compulsivo ou se é um desejo ainda controlável.

Por isso, é fundamental que os pais e responsáveis fiquem atentos ao tempo que as crianças passam nos videogames e, principalmente, que interfiram mesclando essa com outras atividades. Você poderá conferir mais sobre isso logo adiante.

Como o vício em videogames pode atrapalhar os estudos?

É preciso entender que o vício em videogames é um comportamento compulsivo, por isso, pode acabar afetando vários outros aspectos da vida, como a rotina de sono, o relacionamento com os familiares e amigos e o desempenho escolar. A criança e o adolescente perdem a noção do tempo jogando e até negligenciam outros aspectos da sua vida em função disso.

Várias crianças não se alimentam direito para poder voltar para o jogo, outras, ficam segurando o xixi por muito tempo para não ter de pausá-lo. Do mesmo modo, deixam suas atividades extraclasse de lado e até mesmo aquelas realizadas na escola, durante a aula.

O vício em videogames pode se manifestar de diversas maneiras, principalmente com indícios como:

  • inquietação ou irritabilidade excessivas;
  • preocupação com o jogo, mesmo quando não está jogando;
  • pequenas mentiras sobre o tempo que é dedicado ao videogame;
  • isolamento social;
  • cansaço constante;
  • enxaquecas ou dores de cabeça pelo esforço excessivo;
  • negligência com a higiene pessoal;
  • entre outros.

Além disso, uma criança com vício em videogames pode acabar retardando o seu desenvolvimento social, tornando-se mais retraída e tímida no ambiente escolar. Infelizmente, tal comportamento pode, muitas vezes, provocar situações desagradáveis, como isolamento social e até bullying.

Outro fator que merece atenção é que os games são desenvolvidos com muitos estímulos. São bem coloridos, têm muitas músicas e desafios constantes, o que faz com que a criança fique bem ligada. Desconectar de tudo isso e desacelerar novamente pode demorar um pouco. Por isso, é necessário evitar o videogame próximo da hora de dormir.

Esse excesso de estímulo pode acabar transformando o mundo real em um lugar “menos colorido” e interessante do que o jogo. Como nos games o tempo é um recurso que passa rápido, muitas crianças ficam impacientes ao terem de resolver situações reais, especialmente aquelas propostas pela escola.

Quais gatilhos podem levar uma criança a se viciar em videogames?

Por enquanto, não foi encontrada uma causa específica e única para o vício em videogames. Apesar de diversas pessoas acreditarem que se deve a uma exposição excessiva aos jogos, muitos indivíduos que jogam por longas horas não desenvolvem a adicção.

Em alguns outros, no entanto, o jogo causa prazer no cérebro, afetando diretamente alguns dos seus núcleos neuronais. Assim, enquanto jogam, uma quantidade enorme de dopamina é liberada no organismo, o que não acontece nos demais momentos da vida cotidiana. Assim, a criança acaba recorrendo sempre a esse recurso para se sentir “bem” novamente.

É possível que crianças que enfrentem problemas sociais na escola ou de relacionamento em casa acabem recorrendo ao videogame como uma maneira de “fugir da realidade”. Desse modo, as partidas se tornam um escape e uma fonte de prazer e alegria.

Então, de modo geral, podemos dividir os fatores de risco em alguns grupos, como:

  • fatores biológicos — alterações nas estruturas neuronais e biológicas que afetam o sistema de recompensa do cérebro, tornando difícil recusar os estímulos prazerosos dos jogos;
  • fatores psicológicos — características psicológicas como baixa autoestima, déficits sociais, timidez, depressão, ansiedade, impulsividade, competitividade excessiva;
  • fatores sociais — pressão excessiva no ambiente escolar, isolamento social, ausência de diversão na rotina, falta de limites, sensação de pertencimento a um grupo;
  • fatores do game — todos os aspectos que tornam o jogo mais atrativo, como a possibilidade de ter um reconhecimento ou desempenho superior ao da vida real.

Ao observar tais fatores, fica mais fácil entender qual pode estar sendo a causa do vício e criar interferências mais pontuais.

Como intervir de forma contextualizada e saudável?

Os responsáveis precisam estar em cima quando se trata de um vício em videogames. Mas, apesar disso, é fundamental saber fazer intervenções contextualizadas, de forma saudável. Do contrário, a criança pode reagir com resistência e irritação.

Apesar de muitos serem contra o uso de telas na infância, tais recursos podem ser empregados como algo além de uma fonte de entretenimento. Então, experimente propor um plano de uso do videogame, limitando os intervalos de jogos.

Outra maneira de tornar o uso de videogame mais equilibrado e saudável é mesclar essa diversão com outras fontes de prazer para os pequenos, como atividades físicas para crianças ou jogos para brincar em família. Então, se na segunda for permitida uma hora de videogame, na terça, por exemplo, a atividade deve ser fora das telas.

Caso você não consiga realizar avanços sozinho, experimente procurar suporte profissional nesse sentido. Muitos psicólogos e psiquiatras já estão se especializando nesse tipo de vício, tendo a abordagem e as técnicas certas para ajudar.

Como o videogame pode ajudar o desenvolvimento infantil?

O videogame não é apenas prejudicial para as crianças. Na verdade, quando bem utilizado, ele pode ser um ótimo recurso para reforçar o aprendizado dos pequenos. Inclusive, é possível colher ótimos benefícios com essa prática. Quer ver só?

Desenvolvimento de habilidades

Ao jogar, a criança tem a oportunidade de aprimorar várias habilidades, desde a leitura e interpretação de texto, até as competências motoras, por exemplo. O treino do reflexo também é uma capacidade que pode melhorar com o tempo.

Além disso, dependendo do tipo de jogo, a criança consegue ter ótimas oportunidades de aprender a trabalhar em equipe, cooperar e dividir tarefas. Afinal, muitos jogos acontecem em grupo e cada um depende dos seus colegas de time.

Pensamento estratégico

Para avançar entre as fases dos jogos, é fundamental que as crianças consigam fazer uma boa leitura da situação apresentada. Além das habilidades físicas, é preciso aprender a pensar o jogo, tomar ações pré-determinadas e inteligentes.

Assim, o pensamento estratégico e a capacidade analítica estão sendo constantemente colocados à prova. E isso pode ser levado para outros aspectos da vida. Essa resiliência tática desenvolvida nos jogos pode aprimorar o desempenho escolar dos pequenos.

Forma divertida de aprender

Muitas crianças acham que aprender é chato. Porém, com os jogos essa realidade muda. O videogame acaba sendo um recurso interessante que permite fazer um gancho com aprendizados de dentro e de fora da sala de aula.

Desse modo, aprender é algo muito mais divertido, interativo e desafiador. Isso capta a atenção das crianças, faz com que elas fiquem mais motivadas e consigam criar conexões mentais mais fortes sobre os conteúdos que aprendem.

Como usar isso a seu favor?

A tecnologia na educação infantil não é de todo ruim. Na verdade, recursos como os games são bastante importantes para ajudar a desenvolver aspectos e habilidades específicas na criança, como agilidade de raciocínio, gerenciamento das próprias frustrações, coordenação motora, foco e concentração.

Mas, para isso, é necessário saber dosar adequadamente a brincadeira. É importante que a criança veja o videogame como uma possibilidade de diversão, com um intervalo bem-definido para ser desfrutada. E, depois, ela deve voltar para as suas obrigações e rotina diária.

Portanto, uma dica bacana é transformar o momento dos jogos em uma oportunidade para passar um tempo em família ou com os amigos. Assim, você facilita a supervisão e ainda evita que o seu filho prefira deixar de estar com os outros para estar apenas nas telas.

Além disso, é legal procurar jogos que estejam adequados a cada faixa etária e, principalmente, que ajudem a desenvolver habilidades relevantes para a criança. Então, sempre que possível, associe o desempenho nos jogos com algo que está sendo abordado na escola ou a uma lição de vida.

Você também pode começar a observar se o comportamento do seu pequeno é mesmo vício em videogames ou se ele só está muito interessado no assunto. Hoje em dia, os games são uma possibilidade de carreira, por exemplo. No entanto, é sempre bom ficar de olho se a criança fica ansiosa ou agressiva quando não está jogando.

Agora, se você gostou de saber mais sobre o vício em videogames, está na hora de descobrir como utilizar a tecnologia na educação infantil de forma saudável!

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