Como cuidar da saúde mental infantil? Confira estas orientações

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Conforme divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), até 20% das crianças e adolescentes podem apresentar algum tipo de transtorno mental. Tais estatísticas sugerem a necessidade de mais atenção e cuidado com a saúde mental infantil tanto por parte dos familiares quanto pela escola.

Essa não deve ser uma preocupação apenas na vida adulta, já que na infância e na adolescência também podem ocorrer distúrbios de ordem psicológica.

Veja, então, a importância de priorizar cuidados com a saúde mental das crianças e como evitar que tais problemas impactem negativamente o desenvolvimento infantil. Saiba ainda qual a responsabilidade dos pais e da escola na superação desses desafios. Aproveite a leitura!

Qual a importância de cuidar da saúde mental infantil?

Em vias gerais, um dos principais motivos que justificam o cuidado com a saúde mental infantil é que, na infância, os indivíduos desenvolvem a sua estrutura mental. Logo, nessa fase é preciso cuidar das emoções dos pequenos e evitar a estimulação excessiva de cortisol — o hormônio do estresse.

A razão é óbvia: quando em excesso, ele atrapalha as conexões entre os neurônios e pode comprometer o funcionamento cognitivo. Além disso, se essa situação se torna muito frequente, o organismo “entende” que isso é normal e mantém a produção desse hormônio sempre alta.

Emocionalmente, isso gera um prejuízo enorme: a manutenção das taxas de cortisol elevadas diminui a liberação das “substâncias do bem”, responsáveis pelo bom humor e pela sensação de bem-estar. Ou seja, a falta de atenção à saúde mental infantil contribui para uma geração de crianças estressadas, agitadas e vulneráveis ao desenvolvimento de problemas emocionais mais graves.

Como a pandemia impacta a saúde mental da criança?

Do ponto de vista fisiológico, embora as crianças sejam igualmente infectadas, elas apresentam manifestações clínicas mais brandas quando comparadas aos adultos. Porém, elas tendem a ficar emocionalmente muito mais abaladas devido ao medo e à insegurança característicos desse momento.

Muitas vezes, o medo de os pais ficarem doentes e a perda de parentes ou de conhecidos impactam consideravelmente a saúde mental das crianças. Assim, nesse retorno às atividades presenciais, a escola precisa estar preparada para receber seus alunos. Eles necessitam de um bom suporte psicológico, bem como de acolhimento e compreensão para superar as consequências do distanciamento social.

Nesse contexto, os pais e os professores precisam se atentar aos riscos relacionados ao estresse emocional resultante da pandemia. Ter esse cuidado é primordial para minimizar os riscos associados aos transtornos mentais, os quais geralmente resultam de experiências negativas, traumas e estresse, podendo inclusive ultrapassar a infância e perdurar até a vida adulta.

Como perceber o comportamento da criança?

Via de regra, os pais e os professores ou quem lida com crianças percebe quando algo não vai bem. Contudo, nesse contexto pandêmico, muitas foram as mudanças de rotina que impactaram o comportamento. 

Por que os pais devem acompanhar a vida escolar dos filhos?

Por esse motivo, é necessário ter habilidade para não confundir manha, birra ou similares com dificuldades relacionadas à saúde mental infantil. Às vezes, problemas aparentemente banais para os adultos podem ser bastantes significativos para adolescentes e crianças. Nesse sentido, é preciso saber lidar com essas situações.

Logo, se a criança apresentar um comportamento muito atípico ou agressivo no ambiente escolar ou mesmo em casa, isso pode ser um indício de instabilidade emocional. Sendo assim, o ideal é buscar ajuda profissional o quanto antes para avaliar a situação e ajudar a criança.

O que pode ser um alerta?

Com poucas exceções, os sinais e os sintomas que evidenciam dificuldades associadas à saúde mental infantil são semelhantes aos sentimentos que os pequenos apresentam no cotidiano. No entanto, se essas manifestações forem muito frequentes, o ideal é encaminhar a criança para um suporte especializado.

Para melhor compreensão do tema, listamos alguns sinais que, em excesso, indicam alerta para os pais e a escola. Observe quais são:

  • impaciência;
  • irritabilidade;
  • agressividade.
  • falta de apetite;
  • distúrbio de sono;
  • tristeza sem razão aparente;
  • isolamento e fuga de diálogo;
  • perda ou ganho de peso muito rápido;
  • práticas relacionadas à automutilação.

Quando procurar ajuda especializada?

Recentemente, um estudo divulgado pelo Jornal da USP concluiu que 46% dos pais de crianças e adolescentes perceberam impactos negativos na saúde mental de seus filhos na pandemia. Resumidamente, a maioria deles relatou que os problemas ligados à ansiedade e a sinais de depressão foram mais comuns.

Contextualmente, essas condições podem ser somadas a problemas já existentes, contribuindo para a piora do quadro emocional desse grupo. Nesse sentido, os abalos relacionados às eventuais perdas financeiras sofridas pela família e à insegurança gerada pelo retorno presencial com o risco de contágio são significativos.

Portanto, situações assim são as que mais exigem uma assistência focada na atenção à saúde mental das crianças. Por mais que elas pareçam indiferentes a essas questões, a maioria percebe quando os pais estão abalados e também sofrem. Logo, a busca de ajuda profissional não pode ser descartada.

Como ter uma rotina equilibrada e saudável?

Destacamos algumas práticas que contribuem para tornar a rotina infantil mais saudável e tranquila. Confira:

  • priorize o diálogo e seja amigo de seus filhos;
  • ensine a criança a lidar com desafios e frustrações;
  • separe um tempo para ouvir e brincar com seus filhos;
  • oriente sobre os riscos do excesso de tecnologias sobre a saúde mental;
  • oriente sobre a possibilidade de ela receber um “não” para o seu próprio benefício;
  • respeite a individualidade da criança, mas saiba impor limites sem criar resistência;
  • converse sobre valores e princípios e eduque seus filhos com bases sólidas.

Como a escola deve colaborar com esse propósito?

Por fim, vale salientar que o estilo de vida contemporâneo, por si só, contribui para gerar inquietudes e desequilíbrios emocionais nas crianças. Por isso, a escola deve ensinar os estudantes a cultivar emoções positivas mesmo nos momentos mais difíceis.

Logo, é necessário dar prioridade a medidas de educação preventiva que protejam a saúde mental infantil. Nesse sentido, é fundamental a identificação precoce de problemas que ameacem a estabilidade das crianças. Oferecer ajuda profissional e um acolhimento humanizado pode fazer muita diferença na promoção da saúde desse grupo.

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