Como Neurociência e Educação se relacionam? Veja 5 princípios!

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Basicamente, se as técnicas de ensino utilizadas para educar as crianças fossem sempre as mesmas, teríamos escolas cheias de alunos totalmente desinteressados no processo de aprendizagem. Mas, graças aos avanços existentes, essa não é a realidade e, felizmente, nossos educadores têm a possibilidade de combinar saberes como Neurociência e Educação.

Essas duas áreas do conhecimento, juntas, são cruciais para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. Por isso, as escolas estão cada vez mais atentas ao quanto podem se beneficiar dos princípios da Neurociência aplicados ao processo de ensino-aprendizagem dos pequenos.

Quer saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura!

O que é a Neurociência?

Primeiro: vamos entender o que é essa tal de Neurociência.

A Neurociência é uma área de estudo dedicada especificamente à Medicina e à Biologia, mas também permeia áreas como a Anatomia, a Genética e até mesmo a Pedagogia e a Psicologia. Por isso, pode ser direcionada para melhorar o processo de aprendizagem, por exemplo.

Seu objetivo maior é entender e esclarecer tudo o que acontece dentro do cérebro humano, desde a forma como captamos informações até o que possibilita que as memorizemos para o resto de nossas vidas. Então, quando conseguimos entender processos como esse, podemos redirecionar nossos esforços a fim de otimizar o aprendizado das nossas crianças.

Entendendo o sistema nervoso humano e as suas funcionalidades, conseguimos compreender melhor o que contribui com o seu desenvolvimento e o que pode alterá-lo ao longo do tempo. Desse modo, temos uma síntese de quais são os processos cerebrais que determinam o nosso aprendizado.

Qual é a importância da Neurociência no processo de aprendizagem?

Aprender é algo natural para toda criança e, conhecendo ou não os princípios da Neurociência, nossos pequenos desbravadores da realidade conseguirão reunir uma série de descobertas que os acompanhará por toda vida. No entanto, com alguns conhecimentos específicos, os educadores podem aprimorar suas táticas para captar a atenção e elevar o nível de aprendizado dos novos conteúdos pelos estudantes em sala de aula.

Graças à Neurociência, hoje os educadores sabem como o cérebro processa novas informações e de que maneira é possível memorizar uma informação por mais tempo, por exemplo. Logo, eles têm a oportunidade de ajustar seus métodos de ensino no dia a dia.

Um exemplo muito claro e frequente disso é que as escolas já conseguem fazer com que os estudantes resgatem as informações que aprenderam para solucionar problemas práticos de forma criativa e inovadora. Isso era uma tarefa praticamente impossível há alguns anos, quando o aprendizado era um mero sinônimo de decorar o conteúdo para replicá-lo na prova.

Quais resultados o aluno pode encontrar com a Neurociência?

A Neurociência é crucial, sobretudo, para a orientação dos professores quanto à abordagem a ser adotada em sala de aula. Assim, eles conseguem fazer ajustes que beneficiam o processo de aprendizado dos alunos e facilitam a captação de informações.

Os resultados podem ser percebidos por meio de aspectos como os que você verá a seguir.

Mais afinidade com o ambiente escolar

Como os educadores têm a oportunidade de tornar o conteúdo e o aprendizado mais interessantes, os estudantes percebem a escola como um ambiente mais atrativo e desafiador. Os temas abordados na sala de aula e os problemas propostos passam a ser mais instigantes e prazerosos, prendendo sua atenção e perdurando por mais tempo na sua memória.

Necessidades de aprendizagem contempladas

Cada aluno aprende de um modo único, e quando você usa apenas uma abordagem para uma turma inteira, as chances de alguns estudantes ficarem para trás são grandes. No entanto, com a Neurociência e Educação juntas, cada estudante tem a oportunidade de entrar em contato com métodos que favorecem seu próprio estilo de aprendizado, seja por meio da expressão artística, do raciocínio lógico, da gamificação, de testes, de um material didático diferente ou qualquer outro método.

Mais facilidade para assimilar o conteúdo

As descobertas proporcionadas pela Neurociência facilitam muito a assimilação de novos conteúdos. Por exemplo, não adianta expor um estudante a duas horas contínuas de leitura, sendo que a sua atenção efetiva não vai durar mais do que 30 minutos. Da mesma forma, uma pessoa com sono não consegue se concentrar no que está sendo ensinado. Então, ajustes como acordar mais tarde ou dividir os tempos de estudo promovem o seu avanço.

Menos estresse na rotina

Com menos pressão desnecessária e gasto de energia com o que não precisa, os estudantes também podem desfrutar de uma educação mais prazerosa e divertida. Isso ajuda a reduzir a ansiedade e a derrubar aquelas barreiras que transformam a escola em um ambiente “ameaçador”, pelo menos de acordo com a perspectiva dos alunos.

Possibilidade de vivenciar o conteúdo na prática

Como os professores sabem que os estudantes precisam de experiências significativas para que o seu cérebro registre uma memória consistente sobre um aprendizado, os docentes promovem muito mais esses momentos em sala de aula. Assim, os estudantes têm a chance de vivenciar os conteúdos teóricos, na prática, criando uma vivência e um registro emocional sobre eles.

Quais são os princípios da Neurociência?

Quer saber quais são os princípios da Neurociência que mais contribuem com a Educação? Então, olha só!

1. “Aprender significa criar memórias de longa duração”

Quando você para de olhar para o aprendizado como uma decoreba e passa a encará-lo como uma experiência de vida, as crianças começam a ter oportunidades reais de ganho de conhecimento. Se uma informação não está disponível para elas criarem soluções inovadoras e criativas para problemas reais do dia a dia, então, elas não aprenderam de fato.

Logo, quando um educador ensina de acordo com a Neurociência, ele sabe que deve criar uma certa relevância sobre o conteúdo na memória do estudante. Isso pode ser feito trabalhando com a capacidade imaginativa do aluno, explorando as habilidades artísticas dele ou até promovendo competições sadias que exijam trabalho em equipe.

2. Aprender modifica o cérebro

O cérebro não é uma estrutura fixa e imutável e cada vez que somos expostos a novas informações e aprendizados, ele se torna mais funcional. Então, tudo que o nosso cérebro experimenta como aprendizado, modifica nossa estrutura cerebral e os padrões como esse espaço está organizado.

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Sabendo disso, os professores têm a oportunidade de trabalhar com as inúmeras possibilidades de aprendizado dos alunos, entendendo que a sua capacidade de conhecimento não é limitada. Pelo contrário, ela pode ser exercitada e expandida constantemente.

3. Toda criança é cientista

Recentemente, foi descoberto que as crianças já compreendem muito bem os princípios básicos relacionados à Biologia e a Física, além de atributos como narrativas e a definição de objetivos pessoais. Assim, é importante encarar cada uma delas como uma potencial pesquisadora e desbravadora de realidades, o que torna cada criança uma potencial cientista, desde que possa contar com uma boa infraestrutura e orientação.

Sendo assim, é crucial que o ambiente escolar seja um espaço seguro para levantar e testar hipóteses, experimentar teorias e, principalmente, colocar a imaginação para funcionar. Não há mais lugar, dentro da escola, para que os alunos sejam limitados porque determinada curiosidade que ele tem “não condiz com o seu ano de ensino ou faixa etária”.

4. Ninguém é incapaz de aprender

A Neurociência também comprovou que o nosso cérebro está em constante mutação, o que permite que a gente aprenda ao longo de toda nossa vida. Da geração alpha até os adolescentes de hoje, nenhuma criança tem uma limitação fixa de inteligência nem é incapaz de absorver novos aprendizados. Logo, cada uma delas depende de um educador eficiente, autonomia e uma motivação pessoal para aprender, ampliando seus horizontes.

Mesmo aqueles alunos que parecem um pouco mais atrasados em relação aos demais podem continuar aprendendo de maneira contínua. E, mais do que isso, muitas vezes o educador tem a oportunidade de perceber que o “atraso” no aprendizado está mais relacionado à metodologia de ensino do que à capacidade, de fato, do estudante.

5. Atenção é uma escolha, não uma característica inata

Apesar de alguns alunos serem mais atentos que outros, a Neurociência também mostrou que essa habilidade é fruto de um esforço de focalizar uma situação. Portanto, a atenção e a concentração são variáveis treináveis nos estudantes, que podem aperfeiçoar tais habilidades para facilitar o seu processo de aprendizagem dentro e fora da sala de aula.

Então, é fundamental que a escola também ajude a trabalhar essa aptidão, criando chances para que o estudante treine e exercite sua capacidade de foco e concentração. No entanto, fique atento para não exercer uma pressão excessiva e desnecessária quanto ao desenvolvimento dessa habilidade.

Como aplicá-los à Educação?

Esses princípios podem ser colocados em prática de várias formas diferentes. E, caso você precise de algumas ideias, basta continuar a leitura.

Estimule os sentidos dos alunos

Quando acionamos os diferentes sentidos do nosso sistema por meio das atividades sensoriais, várias redes neurais são ativadas ao mesmo tempo. Isso é o que chamamos de aprendizado sinestésico e o que facilita muito a retenção de novas informações e experiências.

No entanto, tome cuidado para não criar estímulos em excesso. Saiba dosar a quantidade de sons, imagens, texturas, gostos e cheiros. Assim, os estudantes se manterão atentos e interessados, sem se sobrecarregar ou ficarem excessivamente agitados.

Organize estrategicamente a sala de aula

As carteiras enfileiradas podem ser uma forma de desestimular os estudantes, principalmente porque não trazem nada de novo nem encorajam a interação entre as crianças. Em vez disso, monte esse espaço de modo estratégico para que o grupo se enxergue, dialogue e interaja mais.

Você pode organizar as mesas e cadeiras em círculos, tirar os estudantes da sala de aula eventualmente ou propor que eles se acomodem em almofadas no chão por um intervalo de tempo. Essa dinamização ajuda a quebrar o tédio e mantém a atenção ao que está acontecendo no ambiente.

Invista em educação socioemocional

As emoções dos estudantes são um fator crucial para o seu processo de aprendizado. O estresse e a ansiedade são inimigos da aprendizagem, por exemplo, eles dificultam a atenção e também a memorização dos conteúdos. Além disso, podem provocar conflitos internos e problemas interpessoais entre os alunos.

Por isso, ajude a turma a normalizar o que sente e fomente a expressão dessas sensações. Se alguém está se sentindo cansado ou frustrado, por exemplo, dedique um tempo da aula para debater ou aprender sobre essas condições.

O que é o método de ensino SMCE?

O SMCE valoriza muito uma educação humanizada e um ensino que considere questões socioemocionais. Mais do que educar alunos capazes de replicar conhecimentos específicos, queremos formar cidadãos éticos e prontos para usar o aprendizado obtido em sala de aula e resolver problemas reais.

Por isso, nossa educação está estruturada a partir de objetivos como:

  • oportunizar a construção de pensamento crítico, curioso e indagador;
  • criar uma aprendizagem contextualizada, com diferentes culturas e realidades;
  • proporcionar um aprendizado sustentável, colaborador e responsável;
  • encorajar uma metodologia dinâmica, com aulas expositivas, aprendizagem em equipe, tecnologia e desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais.

No Santa Mônica Centro Educacional, utilizamos a metodologia sociointeracionista, que visa a exploração do lúdico e a valorização das atividades coletivas, do desenvolvimento da linguagem e das habilidades que melhoram as relações interpessoais. Nós priorizamos a humanização do ensino e a socialização das crianças.

Com um mundo cada vez mais dinâmico e tecnológico, nossas crianças têm se desenvolvido em uma velocidade muito mais acelerada. E é claro que é importante acompanhar esse ritmo para que a sua capacidade cognitiva tenha a devida vazão, ou seja, para que as crianças possam avançar nos seus aprendizados de acordo com as próprias habilidades.

Há alguns anos, não fazíamos ideia de como o cérebro humano funcionava e, por esse motivo, inúmeros erros foram cometidos tentando padronizar o ensino. Mas, hoje, podemos mudar tal realidade, construindo uma educação inclusiva, dinâmica, flexível e muito mais eficiente.

Mais do que isso: conseguimos construir uma educação sob medida para as nossas crianças, incluindo os professores e os pais como agentes transformadores do espaço escolar. Assim, Neurociência e Educação podem andar de mãos dadas.

Então, se você gostou de saber mais sobre a relação entre Neurociência e Educação, fique de olho em todos os nossos novos conteúdos: assine nossa newsletter!

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