Mindful Eating: o que é e como ensinar o seu filho a praticar?

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Comer é um dos grandes prazeres da vida. Porém, muitos fatores podem prejudicar este momento. Seja pela rotina cada vez mais corrida, seja pela popularização dos sistemas de fast food, a verdade é que muitas pessoas se alimentam sem ter atenção à sensação de fome. Esse é um mau hábito aprendido desde a infância.

Além disso, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos também invade os momentos das refeições, fazendo com que muitas crianças comam distraídas com telas. Essas práticas são bastante prejudiciais ao processo de alimentação, contribuindo para escolhas alimentares equivocadas e, consequentemente, para o aumento da obesidade e de transtornos alimentares entre os jovens.

Muitos desses problemas podem ser resolvidos por meio da adoção de hábitos mais saudáveis, como o Mindful Eating. Quer conhecer mais sobre essa técnica e aprender como praticá-la com a sua criança? Continue a leitura!

O que é Mindful Eating?

Mindful Eating é um termo em inglês que pode ser traduzido como “comer com atenção plena”. Trata-se de uma técnica que surgiu para conectar o indivíduo ao momento presente, despertando uma alimentação consciente. Seu foco está, principalmente, em entender as sensações de fome e de saciedade. Mas, como exatamente essa técnica funciona?

Ao ter total atenção ao momento da alimentação, a pessoa fica mais consciente sobre as experiências vivenciadas durante o ato de comer. Assim, o Mindful Eating aumenta a percepção do indivíduo para os aromas, as texturas, os sabores, os temperos e as cores de cada alimento.

Ao sentir plenamente o momento, a pessoa consegue reconhecer quando está com fome ou saciada e aprende a diferenciar a fome física da emocional ou psicológica.

Afinal, o que significa comer com atenção?

Como vimos, Mindful Eating é comer com atenção plena. Mas, o que isso significa exatamente? Bem, comer com atenção significa estar consciente dos sentimentos e sensações que o ato de se alimentar transmite.

Assim, é perceber os sinais do corpo — desde a fome até a sensação de saciedade —, ter atenção às sensações que a comida desperta e perceber as texturas, aromas e sabores de cada alimento.

Para isso é importante fazer do ato de comer um momento agradável e consciente. Algumas atitudes que facilitam essa prática são:

  • estipular uma rotina alimentar;
  • preparar o ambiente das refeições;
  • servir porções menores;
  • respeitar os sinais do corpo.

Qual é a diferença entre Mindful Eating e Intuitive Eating?

Ao falar na importância de respeitar as necessidades do corpo, é comum confundirmos o Mindful Eating e o Intuitive Eating. Ambas as técnicas incentivam a percepção dos sinais de fome e a escolha sobre os alimentos. Contudo, suas semelhanças param por aí. Embora possam ser trabalhadas em conjunto, se tratam de práticas diferentes.

Intuitive eating é alimentar-se intuitivamente. Ele estimula que as pessoas conquistem a confiança para retomar sua habilidade de identificar as sensações (físicas e emocionais) das suas necessidades alimentares. Assim, o Intuitive Eating ensina as pessoas a terem uma relação saudável com a comida.

Desse modo, a diferença entre as duas técnicas é que no Mindful Eating a pessoa cria mecanismos para despertar a consciência e a atenção em relação aos alimentos e ao ato de se alimentar. Enquanto no comer intuitivo há o incentivo ao uso da intuição para escolher quando e o que comer, desafiando as regras em relação à alimentação.

Por exemplo, o Intuitive Eating “autoriza” que o indivíduo pule uma refeição, enquanto o Mindful Eating incentiva que a pessoa siga uma rotina diária alimentar.

Qual é a importância do Mindful Eating?

Como vimos, a prática do Mindful Eating estimula que o indivíduo aprenda a reconhecer os sinais de fome e saciedade. Desse modo, ter atenção plena no momento da alimentação motiva o reconhecimento da importância do ato de comer, contribuindo para uma escolha melhor dos alimentos que vão compor o prato e, consequentemente, para mudanças nos hábitos alimentares.

Com isso, há uma melhora significativa em relação a transtornos alimentares, obesidade e doenças crônicas causadas — ou agravadas — pela má alimentação. Assim, o Mindful Eating impacta positivamente a saúde física, mental e emocional do indivíduo.

Quais são os benefícios do Mindful Eating?

Devido a sua importância para a construção de bons hábitos alimentares, o Mindful Eating apresenta inúmeros benefícios. Confira como essa prática pode agregar na formação da criança:

  • ensina a reconhecer e valorizar os sinais do corpo;
  • contribui para que as crianças não cresçam com restrições alimentares;
  • controla a compulsão alimentar;
  • aumenta a consciência sobre desperdício de alimentos;
  • ensina a valorizar a natureza e ter hábitos alimentares sustentáveis;
  • estimula o paladar infantil;
  • contribui para a manutenção do peso;
  • reduz o estresse e a irritação;
  • estimula a criatividade;
  • aumenta o foco e a concentração.

Como estimular o seu filho a praticar essa técnica?

Agora que você conheceu mais sobre o Mindful Eating, que tal ensinar a técnica para a sua criança? Existem algumas dicas fáceis de serem colocadas em prática com os pequenos. Confira!

Ofereça uma ampla variedade de alimentos in natura

A oferta excessiva de alimentos industrializados e processados vem contribuindo para a desconexão das crianças com seus sinais de fome e saciedade. Afinal, a indústria fabrica produtos ricos em corantes, açúcar, sódio, aromatizantes e sabores artificiais que parecem mais atraentes aos nossos sentidos.

Embora esses produtos não sejam proibidos, é importante que eles representem um percentual menor da alimentação diária dos pequenos. Afinal, quanto mais naturais os alimentos consumidos, mais bem farão à saúde da criança.

Por isso, oferecer refeições e lanches saudáveis para a criança, com uma ampla variedade de alimentos in natura, contribui para que ela aprenda a escolher os melhores alimentos e saiba reconhecer a necessidade de seu corpo na ingestão desses itens.

Evite distrações na hora de comer

Comer com atenção não combina com distrações. Por isso, durante as refeições é fundamental evitar o uso de eletrônicos — celular, tablet, televisão, computador, videogames, etc. —, brinquedos, livros, entre outros itens que possam desviar a atenção da criança do ato de comer.

Com o foco centralizado na alimentação, o pequeno acaba usando todos os sentidos nesse momento. Isso evita que acabe comendo muito ou pouco por estar distraído com outra atividade.

Ensine a mastigar sem pressa

A mastigação lenta é uma das principais práticas no Mindful Eating. Isso porque quanto mais rápido comemos, menor é nossa atenção do que está sendo ingerido.

Além disso, o hábito de se alimentar rapidamente prejudica a percepção da saciedade, visto que é preciso um certo tempo para que o cérebro receba a informação de que o estômago está cheio e que é hora de parar de comer.

Desse modo, ensine a criança a mastigar sem pressa, sentindo os sabores, formatos e texturas dos alimentos. Assim, além de reconhecer melhor o que ingere, o pequeno consegue identificar mais facilmente quando está satisfeito.

Mostre a conexão da alimentação com a natureza

Ter atenção plena ao que se come contribui para conhecer melhor os alimentos ingeridos. Assim, pensar sobre o que comemos acaba estimulando a reflexão sobre a origem desse alimento e o destino dos resíduos gerados pelo processo de preparo.

É importante estimular esses questionamentos, pois eles proporcionam uma maior conexão da criança com a natureza, além de estimular a preocupação com um processo de alimentação que seja mais sustentável. Assim, o Mindful Eating é uma excelente forma de colocar em prática conceitos de respeito à natureza e de ecologia na educação infantil.

E aí, agora que você conheceu mais sobre a técnica Mindful Eating, o que acha de colocar as dicas em prática com a sua criança? A aquisição de bons hábitos alimentares durante a infância contribui para formar adultos mais conscientes e conectados com seu corpo. Afinal, ouvir e respeitar nosso organismo é o modo mais eficaz de ter equilíbrio na alimentação.

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