Exposição infantil nas redes sociais: como saber os limites?

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A exposição infantil nas redes sociais é um assunto que gera debates entre pais, educadores e profissionais da área de saúde mental. Afinal, como lidar com os desafios de um universo cada vez mais digital? Como identificar quais são os limites da exposição? E como educar os filhos para minimizar os riscos desse contato?

São muitas perguntas e as respostas não são tão simples e objetivas. Conhecer os limites da exposição infantil pode ser um verdadeiro desafio para os pais, especialmente se levarmos em consideração a complexidade que é o contato com as mídias digitais e a dificuldade de estar totalmente presente na rotina dos pequenos.

Pensando nisso, desenvolvemos este artigo especial sobre o mundo digital e a relação das crianças com esse universo. Iniciaremos tratando do desenvolvimento do nosso contato com o meio digital, para depois, falarmos a respeito dos perigos das redes sociais para os pequenos e, por fim, traremos dicas que vão ajudar você a encontrar os limites e boas práticas de acordo com a sua realidade. Acompanhe e descubra!

Relação humana com o mundo digital

A internet foi responsável por uma das grandes transformações na humanidade. Por meio das redes sociais, criou-se um ambiente de livre circulação de opiniões, ideias e informações. Isso contribuiu (e tem contribuído) para o nosso desenvolvimento analítico, social e intelectual.

Uma das grandes mudanças associadas à tecnologia diz respeito à velocidade com que as informações transitam entre as pessoas. Se há alguns anos uma mensagem poderia demorar dias para chegar até um país distante, hoje essa mesma mensagem é transmitida em milésimos de segundos para qualquer localidade.

Essa rapidez na troca de informações tem contribuído para facilitar a comunicação, ao mesmo tempo que favorece a disseminação de notícias falsas e informações que podem ser prejudiciais a pessoas e sociedades.

Hoje, praticamente todo mundo tem acesso a internet por meio de smartphones que nos acompanham 24 horas por dia. Os pequenos, desde muito cedo, têm contato com esses dispositivos, aprendendo a utilizá-los de uma maneira quase natural.

Provavelmente, você já se assustou com a velocidade e facilidade com que uma criança aprende a utilizar um smartphone, mesmo sem ao menos ter sido alfabetizada. Elas não precisam de um curso ou orientações sobre o uso dos equipamentos, pelo contrário: elas simplesmente aprendem sozinhas!

A internet e as redes sociais possibilitaram que tivéssemos acesso ao conhecimento de uma maneira muito rápida e fácil. Também permitiu manter contato com pessoas em diferentes lugares do mundo em poucos segundos. A web deu origem a novos mercados e transformou modelos até então existentes.

Ao mesmo tempo que transformou e facilitou a vida das pessoas, a internet criou um ambiente favorável para a ação de criminosos. Os usuários se tornaram suscetíveis a esses riscos, razão pela qual precisam estar constantemente buscando maneiras de se proteger.

É inquestionável a relevância da internet e das redes sociais. Bilhões de pessoas usam essas ferramentas diariamente — seja para entretenimento, comunicação, busca de informações e até mesmo oportunidades de novos negócios. Porém, ao mesmo tempo em que o campo é cheio de oportunidades, ele também oferece riscos e é preciso estar atento a isso.

Exposição nas redes sociais

No universo da internet, uma das ferramentas que mais se destacam são as redes sociais. Entre as pioneiras e mais famosas, podemos citar o Orkut, seguido das redes atuais, como o Facebook, o Instagram e o TikTok, por exemplo.

A exposição de fotos, vídeos e textos falando sobre a rotina, preferências pessoais, família, amigos, animais de estimação, entre outros, são as principais atividades praticadas dentro das redes sociais atualmente. Apesar de ter se tornado um grande negócio, é inquestionável que o papel principal dessas plataformas é o de conectar pessoas.

De fato, é a partir dessa exposição inicial que todos os demais movimentos acontecem. É dessa maneira que surgem influenciadores digitais, que as marcas se conectam com consumidores e assim por diante.

Por isso, a exposição é algo comum em uma rede social. Dessa forma, não podemos dizer que o problema está na exposição propriamente dita, mas sim, na medida em que essa exposição ocorre. Afinal, no momento em que ela ultrapassa a barreira do “bom senso” pode se tornar um risco real.

Atualmente, muitos crimes são cometidos justamente com base nas informações obtidas nos perfis das vítimas em ambientes digitais. A localização em tempo real é um exemplo muito comum disso.

Mas não é só a localização o problema. Quando o usuário fala demais sobre como é a sua rotina, a vida das pessoas que vivem com ele, os bens que ele possui, o que gosta de fazer aos finais de semana e os lugares que frequenta, ele fornece aos criminosos informações que podem ser utilizadas para prejudicar tanto a ele quanto a pessoas da sua família. Esse é um dos fatores de insegurança das redes sociais.

Junto a isso, precisamos destacar a questão da dependência emocional. Algumas pessoas ficam tão conectadas às redes que suas vidas passam a ser movidas pela tentativa de chamar a atenção dos seguidores. Os likes e comentários se tornam cada vez mais necessários para que elas sintam prazer e satisfação, de modo que algumas chegam a se tornar dependentes disso para se se tirem realizadas.

Agora, pense em tudo isso sob ótica de uma criança. Sem dúvida, o cenário fica ainda mais preocupante. Se os adultos já enfrentam desafios na manutenção de um uso saudável das redes sociais, como isso se reflete na vida e rotina dos pequenos?

Não é por acaso que os pais e educadores estão cada vez mais atentos e preocupados com a exposição infantil nas redes sociais. Os perigos são cada vez maiores e os únicos que têm o poder de evitar riscos são os responsáveis.

5 perigos das redes sociais às crianças

Como você pode ver, as redes sociais estão totalmente integradas à rotina dos adultos e das crianças. Elas podem ser benéficas se utilizadas com parcimônia e inteligência. O problema está no fato de que muitas pessoas fazem uso inadequado e excessivo, o que acaba criando um ambiente favorável para o surgimento de problemas.

Nesse sentido, listamos a seguir cinco perigos mais comuns das redes sociais em relação às crianças. Conheça um pouco sobre cada um deles e saiba como proteger os seus filhos!

1. Exposição a criminosos

A web, de uma forma geral, é um ambiente de livre acesso. Todo mundo está na internet e muitas vezes você não sabe a identidade real da pessoa com a qual está conversando.

É muito fácil pegar a foto de uma pessoa e se passar por ela em uma rede social ou em um jogo online sem que ninguém desconfie. Os golpes envolvendo uso de informações de terceiros têm afetado milhares de brasileiros. Se muitos adultos acabam sendo enganados nessas situações, e acreditam na identidade da pessoa, o que dizer das crianças?

Estelionatários são criminosos que tentam aplicar crimes em adultos. Com relação às crianças, a grande e principal preocupação está relacionada aos criminosos sexuais. São frequentes os relatos de pais que vivenciaram experiências de perseguição de criminosos sexuais, os quais se aproveitaram da exposição infantil nas redes sociais e tentaram manter contato com os seus filhos por meio da internet.

Essas pessoas utilizam diferentes formas de contato com os pequenos, aproveitando-se da sua inocência e confiança para pedir fotografias e tentar marcar encontros. Geralmente os criminosos sexuais agem em sites de jogos e mídias sociais.

Sendo assim, é imprescindível contar com práticas eficientes que podem ser implementadas para evitar a ação desses criminosos. Elas incluem:

  • monitorar constantemente as redes sociais dos filhos;
  • evitar publicações de informações pessoais como localização, endereço, informações em tempo real, fotos que mostrem a placa do carro e fotos da residência;
  • não permitir muitas horas de exposição na internet;
  • orientar as crianças para que elas mantenham o diálogo com os pais; e
  • instalar aplicativos de monitoramento nos smartphones.

2. Bullying

O segundo fator de risco também é externo e tem sido considerado outro problema grave relacionado à exposição infantil nas redes sociais. O bullying virtual é uma situação comum nas redes sociais, acerca da qual poucos pais têm conhecimento.

Cometer bullying atrás das telas acontece com mais frequência porque os praticantes do ato se sentem mais corajosos quando não estão frente a frente com a vítima. Dessa forma, as crianças podem sofrer chacotas nas interações mantidas nas mídias sociais.

Para proteger seus filhos, a melhor forma é mantê-los confortáveis e seguros para conversar sobre esse tipo de situação e orientá-los com relação ao que deve ser feito caso o bullying aconteça.

3. Publicação de informações privadas

A publicação de informações privadas é um fator de risco externo que pode ser o primeiro passo para que as duas ameaças anteriores se tornem realidade. A maioria das crianças não tem noção dos limites no uso saudável das redes sociais.

Sem essa percepção, elas podem postar em seus perfis online dados pessoais que não devem ser divulgados publicamente. Isso inclui desde informações de contato e número do telefone até fotografias de momentos pessoais e íntimos.

Além de ficar de olho em tudo que os seus filhos postam é fundamental que você converse com as crianças a respeitos dos limites entre aquilo que é público e aquilo que é privado.

4. Falta de atenção

Até aqui, citamos fatores de risco externos relacionados à exposição infantil nas redes sociais. Agora, vamos destacar dois fatores de risco internos que são extremamente importantes quando o uso das redes sociais é feito de forma inadequada.

O primeiro risco é o impacto causado na saúde mental, que traz como consequência a falta de atenção. O excesso de uso de redes sociais, como o TikTok, pode contribuir para que a criança tenha mais dificuldade na execução de atividades que demandem atenção.

Fazer um teste nesse sentido é muito fácil: basta avaliar como a criança encara uma atividade de leitura. Muitas delas reclamam que têm dificuldade de se concentrar durante a leitura de um livro. Esse é um problema que pode estar associado ao uso excessivo de redes sociais e jogos.

O que se percebe é que passar muito tempo em frente às telas, consumindo informações dinâmicas e, em alguns casos, com pouco conteúdo relevante, impacta negativamente no desenvolvimento intelectual, na criatividade e no raciocínio das crianças.

É importante salientar que o uso das redes sociais e da internet deve ser encorajado. O cuidado que os pais e educadores devem ter diz respeito ao excesso de exposição.

5. Dificuldade de memorização

Por fim, outro impacto negativo atrelado à exposição excessiva das crianças nas redes sociais é a dificuldade de memorização. Esse sintoma está relacionado à diminuição do foco atencional, que destacamos anteriormente, e à redução da inteligência, o que acaba prejudicando o processo de memorização.

Segundo o neurocientista francês, Michel Desmurget, pela primeira vez na história as novas gerações são menos inteligentes que as gerações anteriores. No livro A Fábrica de cretinos digitais: os perigos das telas para as nossas crianças, o cientista aprofunda o estudo do declínio das habilidades cognitivas e da sua relação com o uso excessivo de telas. De acordo com informações trazidas por Desmurget:

O uso da tecnologia digital – smartphones, computadores, tablets, etc. – pelas novas gerações tem sido absolutamente astronômico. Para crianças de 2 a 8 anos de idade, o consumo médio é de cerca de três horas por dia. Entre 8 e 12 anos, a média diária gira em torno de cinco horas. Na adolescência, esse número sobe para quase sete horas, o que significa mais de 2.400 horas por ano, em plena fase de desenvolvimento intelectual.

Como saber os limites dessa exposição

Mas, afinal, como saber quais são os limites da exposição infantil nas redes sociais? Infelizmente, não existe uma resposta exata para essa pergunta. Os pais precisam avaliar o contexto e as necessidades de cada criança.

A orientação é incentivar outras atividades além daquelas realizadas no meio digital. A criança deve ter uma rotina de práticas esportivas e de convivência com outras crianças em horário extracurricular, somado a isso, a leitura de livros e práticas de outras atividades intelectuais deve ser incluída no cronograma de atividades semanais.

Para algumas crianças, preencher o cronograma de atividades semanais é suficiente para afastá-las das telas. Em outros casos, os pais precisam tomar ações mais drásticas, limitando a quantidade de tempo de uso. Cada caso deve ser tratado de forma individualizada.

Se as crianças apresentarem resistência e os pais tiverem dificuldade de lidar com a situação, poderão buscar orientações junto a um psicólogo, a um psicopedagogo ou à escola.

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