Atividades socioemocionais: o que é, quais são e qual o papel da escola?

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Algumas mudanças vêm acontecendo nos últimos tempos em relação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Entre os novos objetivos estão o maior foco no protagonismo do aluno e a valorização das habilidades e atividades socioemocionais no ambiente escolar — questões essas que têm ganhado cada vez mais espaço nas discussões entre pais e educadores.

Educar crianças a partir de uma perspectiva mais humanista contribui para que elas se tornem adultos responsáveis com as próprias emoções e também com os sentimentos de outras pessoas. Então, esse é um modo de promover o cuidado entre os indivíduos.

Sendo assim, queremos ajudá-lo a entender melhor o assunto e a descobrir qual é o papel da escola nessa jornada educacional sobre as emoções e as relações sociais. Se você ficou interessado, continue a leitura e aproveite o conteúdo!

O que são atividades socioemocionais?

As habilidades socioemocionais estão relacionadas à capacidade que a criança tem de

desenvolver aspectos da sua autoconsciência, principalmente no que diz respeito às suas emoções e aos seus relacionamentos interpessoais. Assim, por meio de algumas atividades, os pequenos têm a oportunidade de exercitar o seu autocontrole e as suas interações sociais, preparando-se para a vida adulta.

Esses desafios são fundamentais para que as crianças aprendam a lidar com o dinamismo dos próprios sentimentos e que consigam manejar as frustrações e surpresas do dia a dia. Assim, elas conseguirão aproveitar melhor não apenas a sua trajetória escolar, como também seus futuros ambientes de trabalho e eventos sociais.

Na prática, essas atividades são trabalhadas dentro de grandes áreas do ensino sociointeracionista. São elas:

  • autoconsciência;
  • autogestão;
  • consciência social;
  • habilidades de relacionamento;
  • tomada de decisão responsável.

Apesar dessa proposta não ser algo novo para as escolas, muitas delas não conseguiram adotar as medidas na rotina. Por isso, queremos ajudar você com alguns exemplos que podem vir bem a calhar. Gostou da ideia? Então, continue a leitura.

Quais são os principais exemplos de atividades socioemocionais?

As atividades socioemocionais se tornam mais fáceis de serem colocadas em prática quando vêm acompanhadas de exemplos que deixam mais simples seu propósito e entendimento. Por isso, reunimos uma série de ideias que podem contribuir para que você aplique esse tipo de educação no dia a dia. Veja!

Estimule a criação de um diário

As crianças são seres com emoções complexas e, em sua grande maioria, não compreendem por que se sentem de determinadas maneiras diante de situações específicas. Por isso, uma boa forma de tentar ajudá-las é estimulando a criação de um diário emocional.

Nele, a criança pode descrever os acontecimentos mais marcantes do seu dia, evidenciando cada sentimento ou emoção experimentada. Assim, além de ter uma ferramenta que a ajude a se acalmar em circunstâncias de agitação, ela ainda poderá relembrar as situações de maneira mais detalhada e reavaliar suas emoções, identificando formas melhores de lidar com elas caso se repitam futuramente.

O diário também servirá para a criança pontuar quais foram os momentos do dia em que o seu controle emocional se fez mais necessário e de que forma ela lidou com isso. Depois, ela pode apontar quais foram os resultados obtidos e de que maneiras ela poderia obter resultados ainda melhores.

Abrace as diversidades

Ajudar as crianças a entenderem que a diversidade é parte da vida é o primeiro passo para que elas compreendam as características de cada um como algo normal. Opiniões diferentes, culturas distintas, crenças alternativas e até mesmo personalidades e características físicas diversificadas são normais e conviver com isso desde cedo pode ajudar na aceitação.

O preconceito não é algo natural para as crianças. Em geral, elas convivem muito bem com o novo e sua mente adaptável sempre busca meios para acolher as novas informações. Então, quanto antes elas começam a ser expostas a costumes diferentes dos seus, mais fácil se torna a sua adequação.

Assim, é possível formar crianças mais tolerantes e inclusivas. Elas aprendem a respeitar as diferenças e a conviver com limites físicos e emocionais diferentes dos seus. Desse modo, torna-se muito mais fácil abraçar as diversidades em vez de resistir a elas.

Invista em atividades de artes

Outra forma muito poderosa de estimular as habilidades sociais e emocionais das crianças é através das artes. Como trabalham muito com o lúdico, com as emoções e com a criatividade, elas são uma ótima opção para expressar tudo o que os pequenos sentem e a maneira como percebem o mundo à sua volta.

Muitas vezes, é difícil conseguir que uma criança demonstre o que ela sente em palavras. Mas, talvez, ao pedir que ela pinte suas emoções ou faça um desenho, ainda que não tenha uma forma definida, ela consegue externar aquela sensação.

O mesmo vale para a música ou para outras atividades manuais ou corporais. Usando o seu corpo e linguagens alternativas, a criança pode encontrar meios mais eficientes para expressar o que sente. Em função disso, muitos indivíduos acabam desenvolvendo seu lado artístico através da escrita, da dança, do teatro e de tantas outras maneiras.

Essa técnica se chama arteterapia e, inclusive, pode ser aplicada por profissionais de psicologia em seus consultórios.

Fale sobre a importância das emoções

O diálogo é outra ferramenta poderosa que pode servir tanto para expressar e entender as emoções, quanto para firmar e estreitar laços afetivos entre os pequenos. Por isso, é muito importante que os ambientes escolar e familiar sejam um espaço seguro em que eles possam falar sobre o que sentem.

O interessante é que o hábito de falar sobre as emoções seja criado desde cedo. Desse modo, quando uma criança pequena começa a chorar, você pode orientá-la para que ela tente falar sobre o que está sentindo ou o que quer com o choro.

A partir disso, as crianças podem começar a analisar e discorrer sobre emoções e sentimentos de personagens fictícios ou falar diretamente sobre o que estão sentindo. É normal uma criança ficar frustrada quando um colega pega seu brinquedo sem pedir, por exemplo. E comunicar isso verbalmente é a melhor maneira de solucionar o problema.

Do mesmo modo, é crucial não repreender nenhuma emoção, mesmo que se trate de medo ou raiva. Em vez disso, procure reforçar que você entendeu como ela está se sentindo, mas que vocês podem lidar com isso de uma maneira diferente.

Delegue responsabilidades

Outra maneira muito interessante de exercitar algumas atividades socioemocionais em crianças é por meio da atribuição de responsabilidades. Se um estudante recebe uma tarefa do seu professor e sabe que ninguém, além dele, deve cumprir com aquilo, seu senso de responsabilidade aumenta.

Isso porque ele está ciente de que cumprir ou não com a tarefa vai acarretar em consequências para todos. Assim, ele entende que a sua participação é importante para o grupo e que ele estar ali faz toda diferença. Em outras palavras, seu senso de pertencimento aumenta.

Ainda que se trate de crianças pequenas, é sempre importante atribuir algum nível de responsabilidade a cada um e fazer com que elas lidem com isso. Assim, à medida que vão exercitando essa nova atribuição, elas percebem que fazer a sua parte é algo relevante para o grupo todo.

Promova a aprendizagem maker

A aprendizagem maker é uma cultura surgida nos Estados Unidos, como uma espécie de método “mão na massa”. Nela, a criança é estimulada a trabalhar nos próprios projetos, desenvolver ideias criativas, resolver problemas e, principalmente, lidar com as suas emoções diante de situações estressantes ou frustrantes, por exemplo.

Desse modo, além de criar suas próprias invenções, os pequenos têm a oportunidade de entrar em contato com diversos desafios socioemocionais, como:

  • lidar com as próprias emoções de excitação e frustração;
  • trabalhar em equipe, com ideias e opiniões divergentes;
  • administrar seus fracassos e perseverar em meio a eles.

Qual é o papel da escola nesse quesito?

Como você já viu, as habilidades socioemocionais são consideradas prioritárias inclusive para a BNCC. Por isso, a escola tem um papel fundamental na proposição de atividades que promovam o desenvolvimento dessas aptidões.

Isso é extremamente relevante, afinal, o estudante passa a ser encarado como um ser humano integral, com emoções, frustrações, alegrias e motivações. E o mais importante: ele aprende a lidar com as próprias oscilações comportamentais, sem precisar causar situações desagradáveis para os demais.

Então, é responsabilidade da escola inserir as atividades socioemocionais na sua grade curricular, não apenas de modo conteudista, mas, principalmente, com vivências práticas. Assim, é importante que sejam abordados temas como:

  • a valorização da diversidade cultural e dos saberes das crianças;
  • a escolha e a determinação do seu projeto de vida, com consciência crítica, autonomia e responsabilidade;
  • o autoconhecimento e o autocuidado físico, mental e emocional;
  • a capacidade de reconhecer, valorizar e respeitar as emoções dos outros, ajudando-os a lidar com elas;
  • o exercício do diálogo, da cooperação e da empatia, construindo relações afetivas e de qualidade;
  • o desenvolvimento de resiliência e flexibilidade, adaptando-se e respondendo adequadamente às situações que se apresentam;
  • a tomada de decisão democrática, inclusiva e solidária, de forma sustentável.

É claro que trabalhar todos esses aspectos pode ser bem desafiador. Por isso, a escola acaba se tornando o ambiente ideal para que as crianças se desenvolvam com a ajuda de educadores, dos familiares, dos orientadores e de todos os profissionais disponíveis.

Isso, é claro, se o plano pedagógico permitir incorporar as atividades socioemocionais não como uma disciplina à parte durante o ano letivo, mas como uma abordagem padrão de todos os educadores da escola. Assim, mesmo enquanto aprendem sobre outras temáticas, os alunos podem exercitar suas habilidades.

Ideias de atividades socioemocionais na escola

E, se ainda não está muito claro para você como levar essas atividades para a prática, nós preparamos algumas sugestões especiais. Entre elas estão:

  • projetos interdisciplinares — ao conectar as disciplinas, você ajuda o estudante a pensar de forma holística, entendendo melhor a importância da aprendizagem e exercitando seu senso crítico;
  • trabalho em equipe — quando expostas ao grupo, as crianças começam a experimentar o relacionamento interpessoal com outros indivíduos com opiniões, emoções e perspectivas diferentes das suas;
  • diversidade cultural — ao trabalhar músicas, artes e atividades físicas de diferentes culturas, você promove um ambiente democrático e inclusivo, em que cada criança é respeitada individualmente;
  • moderação de fala — você pode moderar espaços de fala e comunicação, que darão às crianças a oportunidade de serem escutadas, aceitas e respeitadas pelos colegas;
  • integração da comunidade — envolver a comunidade externa também contribui para que as crianças sintam que podem colaborar e fazer a diferença em um contexto bem maior que a escola;
  • apropriação da literatura — com a história de personagens, os educadores podem trabalhar a reflexão sobre questões importantes, como conflitos pessoais, preconceito, bullying e assim por diante;
  • apoio tecnológico — usar a tecnologia para ampliar a perspectiva sobre determinados assuntos também é importante para aumentar a interatividade, a autonomia e o pensamento crítico;
  • projetos bilíngues — com eles é possível aumentar o protagonismo da criança nos meios sociais, além de trabalhar a multiculturalidade e o respeito às diversidades.

Essas são apenas algumas ideias, mas é claro que você pode ir além, pensando em maneiras de fazer com que as crianças interajam entre si e aprendam umas com as outras. Os esportes, os jogos coletivos, as rodas de conversa e até mesmo alguns passeios podem contribuir e servir como ótimas atividades socioemocionais.

Hoje, as habilidades e competências socioemocionais são tão importantes quanto quaisquer outras. Tal como biologia e matemática, as emoções regem a nossa vida e, por isso, precisam ser dominadas. Assim, é necessário que sejam trabalhadas também em sala de aula.

Com elas, as crianças não só aprendem a administrar o que sentem quando estão com a família, com os colegas ou com os amigos. Elas também se preparam para o mercado de trabalho e para as suas relações depois de adultos.

Assim como as habilidades digitais são cruciais hoje em dia, também é importante saber identificar, controlar e administrar as próprias emoções e as relações sociais. É a partir delas que nos tornamos adultos com mais inteligência emocional e com relacionamentos interpessoais mais saudáveis.

Então, se você curtiu este conteúdo sobre as atividades socioemocionais, não deixe de conhecer o projeto pedagógico da Santa Mônica Centro Educacional e como ele contribui para a formação e preparação de crianças e estudantes para a vida adulta!

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