Quais são as principais etapas da aprendizagem infantil?

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Ao longo de décadas, diversos educadores, psicólogos e filósofos se debruçaram sobre os estudos da aprendizagem infantil, separando-as em etapas. Entre esses nomes estão Maria Montessori, Jean Piaget, John Dewey, Sigmund Freud, Paulo Freire e outros, que colaboraram com a construção desses conhecimentos.

Neste post, apresentamos essas etapas de aprendizagem, divididas por faixas etárias. No entanto, observamos que essas divisões não são imutáveis nem rígidas. Se trata apenas de um padrão criado para facilitar a compreensão do tema, lembrando que o meio no qual a criança se desenvolve, sempre influenciará no seu crescimento como um todo. Continue a leitura e saiba mais sobre o assunto!

O que é aprendizagem infantil?

Durante bastante tempo o aprendizado infantil foi associado ao ato de decorar conceitos memorizando algum conteúdo que acabou de ser exposto ou ensinado, geralmente, de forma mecânica. No entanto, hoje sabemos que esse processo de aprendizagem é mais complexo e muita gente ainda não entende o que envolve todo esse conjunto de assimilações que fazemos durante nossa vida.

Conforme já mencionamos, muitos estudiosos se dedicaram a decifrar essas dinâmicas do aprendizado, como Jean Piaget, um psicólogo e biólogo suíço, que viveu entre 1896 e 1980. Piaget estudou as etapas do desenvolvimento humano profundamente e defendeu que os seres vivos tendem a se adaptar ao ambiente a partir do momento em que criam uma relação com ele. Ele postulava que a criança absorve conhecimento por meio das experiências adquiridas em determinado contexto, do qual faz parte.

Assim sendo, a interação dos pequenos ao meio proporciona a formação de seu conhecimento. A assimilação de tudo o que acontece em volta é o elemento determinante para a base do processo de aprendizagem.

Então, podemos dizer que a aprendizagem infantil nasce da experiência adquirida no ambiente. E isso se desenvolve durante a vivência de fases distintas, que proporcionam a aquisição de habilidades essenciais para a vida, como a linguagem e o pensamento.

Qual a importância da aprendizagem infantil?

Sua importância está no desenvolvimento de habilidades indispensáveis para as futuras etapas da vida da criança. Ao longo de seu curso, cada uma dessas fases é marcada por aquisições fundamentais como, capacidade de cognição, percepção, psicomotricidade, pensamento lógico, compreensão da experiência vivida por outras pessoas entre outras.

Desse modo, o ambiente escolar exerce muita influência sobre essas competências e, por meio de abordagens específicas, é possível aplicar técnicas para trabalhar todos os aspectos que moldam o aprendizado das crianças.

Esse processo acontece desde o maternal, onde os pequenos recebem estímulos que valorizam cada ação. Assim, eles conquistam habilidades que possibilitam o desenvolvimento da autonomia diante dos desafios que surgem, gradativamente.

Quais são suas principais etapas e como a criança se desenvolve em cada uma?

De acordo com a premissa de Piaget, o aprendizado infantil pode ser classificado em quatro fases, a seguir descritas:

Etapa sensório-motor: o início da percepção

Entre 0 e 2 anos os pequenos começam a descobrir os movimentos e as sensações. Durante esse período as crianças iniciam o desenvolvimento da coordenação motora e imitam tudo o que está em seu campo de visão. É nessa etapa, portanto, que os bebês entendem que seus movimentos são ações, então, aprendem a arremessar brinquedos, objetos, puxar toalhas de mesa e de lençóis e manusear o que estiver ao alcance.

Para os bebês dessa idade, existe apenas o que eles tocam ou sentem. É nessa fase, também, que eles começam a engatinhar e dar os primeiros passinhos, bem como morder, beliscar, derrubar, fechar e abrir. É um período de total dependência da criança em relação a seus cuidadores.

Por que os pais devem acompanhar a vida escolar dos filhos?

O domínio da linguagem ainda é inexistente, por isso, desenvolvem, também, uma comunicação por meio de choro, gritos, risadas e balbucios. É uma etapa da vida conhecida, também, como fase oral, uma vez que as sensações de prazer são experimentadas pela boca, durante as mamadas e levando objetos, brinquedinhos ou os dedos dos pés à boca. Mais tarde, essas ações são substituídas por ocupações relativas a canto, recitação e até compulsões, como roer as unhas.

As atividades de aprendizagem, nesta etapa, incluem todo tipo de estímulo aos sentidos, como tato, visão, paladar. Então, os bebês podem ser estimulados com brincadeiras como esmagar gotas de tintas nos pés, procurar frutinhas na gelatina e outras voltadas às sensações.

A etapa sensório-motor representa uma realidade imediata e concreta para o universo infantil e sua noção espacial se constrói nela, antes do início da percepção do tempo. Para incentivar a criação de consciência de si mesmo, é interessante instalar uma barra de apoio em frente a um espelho para que a criança dê seus primeiros passos percebendo seus próprios movimentos.

Etapa pré-operatória

É a etapa que acontece entre os 2 e os 7 anos. Aqui, a criança começa a elaborar representações da realidade que vivencia. Assim, muitos interpretam esse período como o mais relevante quanto ao desenvolvimento cognitivo. Nesse estágio, o uso da linguagem se aprimora acentuadamente e a coordenação motora fina se aperfeiçoa, o que facilita a habilidade de escrever.

Nessa fase, o cérebro dos pequenos já começa a perceber esquemas simbólicos, associando-os entre si. Dessa forma, uma vassoura pode se tornar um cavalo, quando a criança está brincando, por exemplo. É uma etapa onde as crianças começam a se interessar por histórias e, assim, expandem seu mundo. Além disso, dão nomes aos sentimentos relacionados que ouvem ou veem.

É a fase do egocentrismo, uma vez que os pequenos se enxergam como o centro das atenções. Contudo, eles também, interagem com outras pessoas e se socializam mais facilmente com colegas de escola e familiares. Já começam a compartilhar, ajudar, esperar e receber ajuda. Também aprendem a ter mais autonomia e independência, além de sentar-se à mesa, vestir-se, conversar e escovar os dentes.

Por se tratar de um período de alta imaginação, é fundamental escolher estímulos de maneira adequada. Da mesma forma, os pais precisam responder aos filhos de maneira verdadeira e coerente, já que, a partir desse estímulo, eles aprendem como argumentar e relacionar pensamentos e palavras.

Etapa operatória-concreta

Durante esse período, que vai dos 7 aos 12 anos, a criança desenvolve o pensamento lógico. Por isso, já se torna capaz de solucionar seus problemas, desde que eles sejam concretos, como dúvidas relativas a objetos físicos. O universo abstrato ainda não está claro para essas crianças e nessa altura da vida, começa o estágio inicial da adolescência.

É nessa fase, também, que eles entendem melhor as regras sociais, fazendo o senso de empatia aumentar, como as noções de reciprocidade e justiça. Encerra-se a etapa do egocentrismo e a propensão à criação de laços e proximidade com os outros também cresce.

Etapa operatória-formal

A última fase do aprendizado infantil, após os 12 anos, é marcada pela capacidade desse pré-adolescente assimilar hipóteses, desenvolver teorias e formular representações abstratas, mesmo sem ter vivido situações práticas sobre determinados assuntos por ele compreendidos. Ele já está, portanto, com o aparato de raciocínio lógico completo.

Segundo Piaget, todo o desenvolvimento do aprendizado do indivíduo pode ser aprimorado por meio de estímulos e de um ambiente propício para que isso ocorra de maneira ampla, tanto no contexto emocional, quanto físico e social.

Por isso, é muito importante poder contar com uma boa escola, capaz de oferecer todos os recursos que favoreçam a aprendizagem infantil. Uma educação de qualidade, possibilita às crianças um desenvolvimento de capacidades para conhecer novas situações que tragam riqueza linguística, cultural, além de interações sociais que fazem toda a diferença no crescimento e na vida futura.

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